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terça-feira, 28 de junho de 2011

Quanto Vale uma Idéia?

Uma das questões que recebo com frequência de empreendedores é como proteger sua idéia de ser copiada e/ou solicitando a assinatura de um acordo de confidencialidade, também conhecido como NDA - Non-Disclosure Agreement, para apresentar seu projeto. Pois bem, na realidade estas solicitações, pelo seu conteúdo implícito, remetem ao cerne da questão: quanto vale uma idéia?

Eu poderia simplesmente responder que só uma idéia não vale nada, mas não considero suficiente dar uma resposta sem fundamentá-la, pois pareceria que estou simplesmente querendo menosprezar a mesma, quando na realidade é bem diferente disto. Pois bem, vamos a discussão, pois sei que muitos irão contestar dizendo que o "mundo se move pelas idéias" e, apesar de não discordar desta frase totalmente, tenho uma interpretação da mesma: "o mundo se move pelos que fazem as idéias acontecerem". As idéias puramente não constroem nada e somente quando são transformadas em realidade por alguém é que fazem a diferença; óbvio, não? Sei que mesmo assim serei contradito pelo argumento de que "sem as idéias, não haveria o que ser feito" e novamente não discordo desta afirmação, mas vamos avaliar melhor a mesma usando o seguinte exemplo: imaginemos no século XIX quantas pessoas tiveram a idéia de criar um dispositivo de iluminação que não utilizasse combustíveis, mas sim eletricidade? Segundo referência bibliográfica da Wikipédia (vide http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%A2mpada_incandescente), mais de 20 inventores tentaram construir  lâmpadas incandescentes desde o inicio daquele século, mas que só foi realizado em 1879 por Thomas Edison, assim, se imaginarmos que 100 vezes mais pessoas tiveram esta mesma idéia, chegaríamos a no mínimo 2000 idealizadores! É também muito importante lembrar que Edison só conseguiu realizar este feito após mais de 1.000 incansáveis tentativas!

Concluindo, mesmo muitos tendo a mesma idéia, só um conseguiu realizá-la, tornando-a um produto comercial e lucrar com a mesma. Pois bem, por meio deste simples exemplo podemos concluir que ter a idéia de criar uma lâmpada elétrica não foi uma novidade; o engraçado é que hoje a lâmpada incandescente é um símbolo de idéia, assim, nós somos induzidos a pensar que a criação da mesma foi um lance de gênio, que teve a idéia e a construiu no minuto seguinte, quando na realidade foi bem diferente.

Assim, quando alguém diz para mim que tem uma "idéia genial", faço a seguinte conta para ele: digamos que uma boa idéia é tida por 1 em cada 100 pessoas, uma idéia excelente a cada 1.000 e uma genial a cada milhão! Então considerando que em nosso planeta existem 6 bilhões de seres humanos, isto significa que no mínimo 6.000 pessoas tiveram esta mesma idéia; bom, dá para concluir facilmente que mesmo uma idéia genial não é tão exclusiva assim. Tanto que as leis de proteção de propriedade intelectual de quase todos países determinam que uma idéia não é patenteável; apenas uma invenção o é, assim, se considerar que sua idéia precisa de alguma proteção, transforme-a em uma invenção e faça uma patente. Observe que dificilmente algum investidor irá assinar um NDA apenas para ouvir sua idéia, pois recebemos múltiplas propostas semanalmente, assim, além de ser impraticável gerenciar inúmeros NDAs, nenhum investidor irá querer se limitar logo de inicio a receber possíveis propostas similares. É claro que conforme as conversas evoluírem, no momento certo poderá ser estabelecido o acordo de confidencialidade, mas o mais importante é conhecer a sua contra-parte e estabelecer uma relação de confiança com ela, pois isto será a base de uma futura sociedade.

Do ponto de vista prático, reitero que não estou menosprezando as idéias, pelo contrário, realmente acredito que elas são a origem da transformação de nosso mundo, mas do ponto de vista de valor, uma idéia só vale alguma coisa quando é executada, assim, recomendo que não se preocupe em tentar "proteger sua idéia", até por que, se ela for facilmente copiável, talvez nem valha a pena dedicar seu esforço na mesma; procure idéias em que seu trabalho e dedicação possa fazer a diferença, pois aí sim terá o real valor de uma lâmpada de Edison.

6 comentários:

  1. Execução é o que importa.

    Gosto da analogia do Paul Graham: Sua idéia vale de R$1 a R$1000, e sua execução é um multiplicador que vale 0 (C player) , 1.000 ( B Player ) ou 1.000.000 (A player).

    Idea ridícula, execução perfeita: R$1 x 1.000.000 = R$1.000.000
    Idéia genial, execução média: R$1.000 x 1.000 = R$1.000.000
    Idéia média, execução perfeita: R$100 x 1.000.000 = R$100.000.000

    Como 99% das pessoas são B players ou menos e das 6.000 pessoas com a mesma idéia genial (sua teoria) certamente uma vai vazá-la, eu investiria somente em pessoas (quando eu mudar de lado da mesa :) ).

    Um cara bom com uma idéia ridícula e a orientação adequada (mentoring do investidor) certamente vai pivoteá-la até ficar razoável...

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  2. O que hoje em dia na internet não é copiável? Quase nada. A concorrência é livre, basicamente basta confiar na sua competência de executar aquela idéia melhor que outras empresas que venham a aparecer.

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  3. Rogéro Filgueiras19 de junho de 2012 17:33

    O texto é realmente maravilhoso- esclarecedor! Só não concordamos com a seguinte passagem " assim, recomendo que não se preocupe em tentar "proteger sua ideia", até por que, se ela for facilmente copiável, talvez nem valha a pena dedicar seu esforço na mesma..." Pois nesse caso vale uma avaliação mais profunda da invenção com relação a proteção.O fato de ser "copiável" é somente um item que deve ser levado em conta nessa avaliação. Tudo dependerá das características do invento. Mas concordo que na maioria das vezes não há necessidade de proteger Essa decisão deve ser bem avaliada.

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  4. Olá Cassio.

    Concordo com os pontos expostos, e entendi que não está desvalorizando a idéia, mas do ponto de vista do empreendedor, acredito que isso não seja tão simples.

    Uma idéia genial detalhada, na mão de alguém que não tenha condição de executá-la é uma coisa. Já, a mesma idéia, mesmo que descrita brevemente, na mão de quem tenha plena condição de executá-la, é outra.

    Portanto, do meu ponto de vista, sua lógica vale, dependendo de quem tem acesso à idéia.

    Sei que você é da área de Tecnologia também, e pelo seu tempo de experiência, já deve ter visto isto acontecer diversas vezes.

    Minha conclusão é que, da mesma forma que o investidor analisa todos os riscos do investimento (inclusive a copiabilidade do modelo), este é um risco que também não deve ser desprezado pelo empreendedor.

    Acredito ser uma discussão muito sadia, pois para o empreendedor, esta é uma das maiores preocupações, principalmente quando tem a idéia apenas no papel (e na cabeça) e precisa confiar em alguém para investir nela ou empreender com ele.

    Aproveitando... parabéns pelo trabalho com os Anjos do Brasil. Acredito imensamente que esta é uma das frentes em que devemos investir para mudar a realidade brasileira.

    Forte abraço, e sucesso.

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  5. Concordo plenamente que "ideias não constroem nada". Eu sou psicóloga e vivo uma luta constante contra o paradigma estabelecido de coisas do tipo: "vc é o que vc pensa", "o que vale é a intenção", "fazer o que ama" e coisas a fins. Somos o que realizamos. Somos nosso comportamento. Nossas ações concretas, não nossas intenções, por mais benevolentes que possam ser.
    Infelizmente, como uma intelectual, enfrento grandes dificuldades para empreender (a palavra é essa mesmo!)os comportamentos necessários para fazer da minha magnífica, rs ideia, algo concreto. Por se tratar de um negócio digital,área da qual eu nada sei, além de consumir vários. Nem sei como escolher um desenvolvedor de aplicativos competente. O que é precisa avaliar para determinar se aquela pessoa ou empresa é capacitada, se eu mesma nada entendo do assunto? Sabe aquele cara no meio do mar sem rumo? Esta sou eu, rs.

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  6. A tal ideia só passa a ser possível de cuidados jurídicos quando ela sai do "mundo das idealizações". Após ter a usa "brilhante ideia", você mesmo precisará fazer os investimentos iniciais para transformar isto em algo "palpável". Após isto, é possível se tomar os devidos cuidados que se almeja. A ideia se transforma em produto e o produto se transforma venda, a venda lhe trará o lucro e o lucro, este lhe mostrará o resultado (o êxito). Qualquer coisa antes do "produto", infelizmente são os riscos que o empreendedor assumirá. É a hora que a "adrenalina" do empreendedorismo te pega e te faz ver se realmente vale apena. Se você está na fase da ideia, e esta ideia, é complexa para ser executada por você sozinho, procure uma pessoa que você saiba que esta ideia irá beneficiar esta de alguma forma. Convide-a para ser seu sócio-empreendedor. Acredite em mim. Sozinho as vezes não dá. Veja a trajetória de Mark Zuckerberg. Se ele ficasse com aquilo dentro dele apenas, talvez hoje ele estaria trabalhando em alguma empresa de TI, ganhando um piso ridículo de salário. Abraço

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